País dividido, votação estendida e a certeza da judicialização
O país está dividido. Vença Flávio Bolsonaro (PL) ou Lula (PT), o clima hostil na política nacional continuará. Não é com entusiasmo que se escreve isso, mas essa realidade está cristalina. A decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), de estender a votação deste domingo (25) até as 19h pareceu uma solução salomônica, já que, em momentos distintos, as coligações dos dois presidenciáveis chegaram a pedir a prorrogação.
Fato é que a decisão chegou quando algumas urnas já estavam fechadas. E também é fato que, seja quem for declarado vencedor mais tarde, teremos uma espécie de terceiro turno na esfera judicial. Por mais que não venha a interferir no resultado das urnas, a judicialização colocará mais uma vez no centro das decisões nacionais o Poder Judiciário, tão contestado e desgastado nos últimos meses, a ponto de sua atuação ter se tornado um fator decisivo no voto de muitos eleitores.
As últimas pesquisas reforçaram o cenário de uma disputa voto a voto. Divulgados no sábado (24), Datafolha e Quaest apontaram Flávio com 51% dos votos válidos, contra 49% de Lula. A AtlasIntel registrou 50,8% a 49,2%, enquanto a BTG/Nexus mostrou 50,5% a 49,5%. Já a Vox Brasil, divulgada na sexta-feira (23), apresentou Lula numericamente à frente, com 50,6% contra 49,4%. A Futura Inteligência registrou 50,1% para Flávio e 49,9% para Lula. Os levantamentos apontaram uma disputa acirrada, com diferenças dentro das respectivas margens de erro.
A campanha de Lula recorreu ao STF após denúncias de redução da frota de ônibus e dificuldades no transporte público em diferentes cidades, que teriam prejudicado o deslocamento de eleitores. Já a de Flávio Bolsonaro solicitou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a ampliação do horário em municípios de Minas Gerais e do Rio Grande do Sul, por causa de fortes chuvas, alagamentos e problemas no fornecimento de energia elétrica que também dificultaram o acesso às seções eleitorais. Zanin acolheu o pedido da coligação petista e estendeu a votação em todo o país.
A decisão, no entanto, foi divulgada depois das 17h, quando algumas seções já haviam encerrado a votação, com boletins de urna emitidos e votos contabilizados. O TSE chegou a suspender a totalização para avaliar os efeitos da medida. Diante do impasse, o presidente do Tribunal, Kassio Nunes Marques, orientou que apenas as seções ainda abertas permanecessem funcionando até as 19h. Posteriormente, Zanin esclareceu que as urnas já encerradas não seriam reabertas. Assim, enquanto alguns eleitores tiveram mais duas horas para votar, outros encontraram as urnas fechadas. Mais um ingrediente para uma disputa que, tudo indica, não terminará com o anúncio do vencedor — será judicializada.

