Por razões distintas, Campos vê bancada na Alerj reduzir à metade pela 2ª vez consecutiva
Pela segunda legislatura consecutiva, embora por razões completamente distintas, Campos e região viram a representatividade na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) ser reduzida à metade. Em 2018, quatro deputados estaduais foram eleitos tendo em Campos a maior fatia dos votos recebidos, mas só dois puderam concluir o mandato. Em 2022, novamente quatro eleitos; hoje, só dois estão no cargo. Na primeira vez, fatalidades: duas mortes decorrentes da Covid-19. Na segunda, suspeitas de crimes: prisões, seguidas de cassação e renúncia.
Para a legislatura iniciada em 2019, Bruno Dauaire, Gil Vianna, João Peixoto e Rodrigo Bacellar carimbaram, em 2018, o passaporte para a Alerj. Vale lembrar que Bruno, apesar do domicílio eleitoral em São João da Barra, tem Campos como seu principal reduto desde que disputou o cargo eletivo pela primeira vez, em 2014, quando foi eleito deputado estadual.
Em 2020, durante a pandemia, a diminuição na representatividade regional foi alheia a ações do mandato. Gil Vianna morreu em 19 de maio, aos 54 anos, vítima da Covid-19. Pouco mais de quatro meses depois, em 30 de setembro, morreu João Peixoto, aos 75 anos, também em decorrência da doença. Os dois, aliás, foram os únicos deputados da Alerj em exercício que morreram vítimas do coronavírus.
Novamente quatro deputados eleitos
Após o resultado das urnas em 2022, Campos voltou a iniciar uma legislatura com quatro deputados da cidade. Bacellar (posteriormente alçado à presidência da Casa) e Dauaire foram reeleitos. Carla Machado, que construiu carreira política em SJB, onde renunciou ao quarto mandato de prefeita para disputar a vaga de deputada, também recebeu de sua cidade natal, Campos, a maior parte dos votos que a levaram à Alerj. Completou a lista o até então vereador Thiago Rangel, que conquistou seu primeiro mandato no parlamento estadual.
A primeira baixa foi Rodrigo Bacellar, então presidente da Alerj. Em março deste ano, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) cassou seu diploma e declarou sua inelegibilidade no julgamento relacionado ao caso Ceperj e Uerj. Antes da cassação, Bacellar havia sido preso em dezembro de 2025, por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A medida foi adotada no âmbito da investigação sobre o vazamento de informações sigilosas da Operação Zargun, que tinha o então deputado TH Joias como alvo. À época, a Alerj revogou a prisão, mas Moraes impôs medidas cautelares, entre elas o afastamento da presidência. Já fora da Alerj, voltou a ser preso em março, por determinação de Moraes.
A segunda baixa foi Thiago Rangel. Preso preventivamente em maio, na quarta fase da Operação Unha e Carne, ele é investigado por suspeitas de fraudes envolvendo contratos da Secretaria estadual de Educação. Rangel permaneceu afastado da Alerj até 12 de agosto, quando renunciou ao mandato para, segundo informou à Casa, dedicar-se integralmente à defesa.
Representatividade e domicílio eleitoral
Natural de Niterói, embora tenha em Campos seu maior reduto eleitoral, Bruno Dauaire mantém, por ligações históricas da família, domicílio eleitoral em SJB — seu avô, Alberto, e seu pai, Betinho, já foram prefeitos da cidade.
Já Carla tem praticamente toda a trajetória política construída em SJB. Foi vereadora, presidente da Câmara e prefeita do município por quatro mandatos. Nascida em Campos, transferiu seu domicílio eleitoral para a cidade natal em outubro de 2023, quando era aventada a possibilidade de ela disputar a Prefeitura da principal cidade da região.
A curiosidade é que, se Carla tivesse mantido o domicílio eleitoral em São João da Barra, Campos estaria hoje sem nenhum deputado estadual domiciliado no município: Bacellar perdeu o mandato, Rangel renunciou e Dauaire tem domicílio eleitoral em SJB.
Pelo critério estrito do domicílio eleitoral, é Carla Machado quem mantém hoje a representação de Campos na Alerj. Bruno, no entanto, também mantém forte vínculo eleitoral com a cidade: os dois tiveram no município a maior fatia dos votos obtidos para o atual mandato.
2018, 2022… e 2026?
Dos quatro deputados de Campos que começaram a atual legislatura, permanecem Bruno Dauaire e Carla Machado, ambos candidatos à reeleição neste pleito. Nos números, Campos viu “o futuro repetir o passado”, embora por razões completamente distintas: quatro deputados no início das legislaturas de 2019 e 2023, mas só dois na reta final, em 2022 e 2026. E sobre “como será amanhã?”, após todas essas nuances, das urnas virá a resposta.

