Likes, views, engajamento… e os votos?

Likes, views, engajamento… e os votos?
  • Publishedagosto 16, 2026

A campanha eleitoral começou neste domingo (16). Para além das mudanças de fotos, da exposição dos números e dos vídeos nas redes sociais, os nomes que estão na disputa a governador colocaram o bloco na rua — e bem cedo.

Há mais de uma década, as redes sociais mudaram a forma de fazer política partidária. Material gráfico, repercussão nos jornais, horário no rádio e TV já foram prioridades. Apesar de continuarem com espaço, ficam em segundo plano. O mais importante, nestes tempos nos quais o que se prioriza é viralizar, tem sido o “corte”. Rápido, certeiro, que consiga prender o eleitor no vídeo nos primeiros segundos.

Nesta lógica, há quem tente aferir a preferência eleitoral pelo engajamento nas redes sociais. Com o linguajar de uma famosa trend: “Dizem por aí que likes, views e engajamento refletem em votos… Será?”

Se questionado, atualmente todo político quer ter uma rede social com alto engajamento. Isso é fato. No entanto, acreditar que curtidas e visualizações se refletem em votos, “se insere mais ou menos no mesmo continente mental de quem acha que a Terra é plana”, como diria o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Sem querer ser indelicado com ninguém, mas existem inúmeros casos de gente que “bomba” nas redes sociais, tem engajamento muito alto, já até recebe por conteúdo, mas que ao se aventurar na política partidária não chegou nem perto da trave.

É inegável que ser conhecido abre uma possibilidade eleitoral, mas não é garantia de que vá concretizar uma vitória. Curtir o vídeo é muitas vezes trivial, um hábito, que não exige quase nada do usuário das redes. Há um infinito de distância entre a pessoa gostar do que um influencer posta e esse mesmo cidadão sair de casa para depositar o voto na urna a favor dele.

Não é que o influencer não possa ser candidato, nem que os políticos tradicionais não possam ser influencers. Existem campanhas vitoriosas que cresceram nas redes sociais? Sim, são casos e mais casos de sucesso que conseguem utilizar as ferramentas de forma positiva para impulsionar candidatos. E pesquisas recentes apontam que o eleitorado cada vez mais utiliza as plataformas virtuais para se informar sobre política.

A questão é não se iludir, não achar que o engajamento nas redes é o suficiente. Ah, e copiar o que dá certo com outro político nem sempre vai ser o suficiente para alcançar o nicho que determinado candidato precisa conquistar.

A política do estar perto, do olho no olho e do discurso com entusiasmo ainda tem muito espaço. E tudo isso pode e deve ser filmado e fotografado para ser usado nas redes. É um movimento natural. O que não dá é para esperar nas urnas um paralelo dos votos com o engajamento. Aliás, já caminhando para o fim desse papo, todo mundo sabe que engajamento nem sempre quer dizer avaliação positiva, não é? E que a métrica, muitas vezes, não é reflexo da realidade.

O histórico já mostra, e 2026 deve reforçar, que likes, views e engajamento nem sempre se refletem nos votos necessários para vencer uma eleição.

Ilustração: Imagem criada por IA

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